

Projeto Multimídia desenvolvido por seis alunas
do último ano de Jornalismo da
Universidade Metodista de Piracicaba
O conhecimento a um clique
Entre dois mundos
Material retirado do lixo faz surgir novo tipo de arte contemporânea
Mylena Arruda
06/11/2013
Sódio, conhecido como componente do sal de cozinha, é um mineral que tem sido consumido em excesso pelas pessoas, sendo usado para realçar sabores e aumentar a duração de diversos produtos industrializados. Em quantidade excessiva o sal pode causar diversos problemas de saúde como a hipertensão, insuficiência renal e câncer de estômago.
Uma pesquisa realizada pela Secretaria da Saúde de São Paulo com hipertensos atendidos no Instituto Dante Pazzanese, referência nacional em cardiologia, indica que 93% dos pacientes não sabem a diferença entre sal e sódio. Porém, não são apenas os hipertensos que desconhecem esta diferença.
O sal de cozinha é o mesmo que cloreto de sódio, pois têm em sua composição os elementos do sódio (Na) e cloro (Cl), resultando em cloreto de sódio (NaCl). O clínico geral Francisco Averaldo afirma que no rótulo dos alimentos em geral não é descrita a quantidade se sal, mas sim a de sódio, por esse motivo é importante ressaltar que o termo sal de cozinha é a mesma coisa que sódio.
Sal: os perigos de seu excesso
Este mineral é o grande vilão das doenças relacionadas à pressão alta, coração e problemas nos rins
Laura F. Thomaz

A dona de casa Maria Martins cozinha para si alimentos separados dos demais membros de sua família contendo pouco sal, mantendo assim sua pressão regulada (Foto Laura F. Thomaz)
Apesar deste mineral ser a causa de diversos problemas de saúde, ele é fundamental para o equilíbrio e bom funcionamento do organismo. De acordo com o cardiologista Dino Zorzo, em quantidades adequadas, o sódio é extremamente importante para o organismo, onde desempenha diversas funções. “O sódio é fundamental para o equilíbrio hídrico corporal, atuando nos rins e determinando a produção de certos hormônios que vão estabelecer o controle da pressão arterial”. Zorzo ainda ressalta que o sódio participa diretamente na produção dos estímulos elétricos responsáveis pela transmissão de impulsos nervosos e pela contração cardíaca.
O sódio também regula as funções básicas como absorção de glicose e volume do sangue no corpo, porém, é necessário que seja consumido em quantidade adequada. Segundo a Sociedade Brasileira de Hipertensão a ingestão diária de sal é de seis gramas, o que equivale a uma colher de chá, recomendação válida para a população em geral. Para os hipertensos é necessário mais de cuidado com relação à ingestão deste mineral, variando de acordo com cada caso e podendo ser restringido em até 35 miligramas ou menos por dia.
Outras doenças mais comuns relacionadas ao excesso de sal é a insuficiência renal e pedras nos rins, que desempenham um papel central no controle de conteúdo de sódio e na regulação do volume do fluido extracelular do organismo. A recepcionista Carolina Ragazzo Leme garante que precisa evitar excesso na quantidade de sal utilizado diariamente, sendo necessárias algumas adaptações na alimentação. “Preciso consumir pouco sal por dia, no máximo duas gramas, além de ter que beber de dois a três litros de água”.
Existe no mercado produtos que podem substituir o sal contendo cloreto de potássio ao invés de cloreto de sódio. A nutricionista Patrícia Milaré afirma que se a intenção é salgar com saúde, pode-se utilizar o sal marinho que têm minerais e é mais saudável, pois não passa pelo processo de branqueamento e refinamento, como o sal de cozinha. Nele permanece aproximadamente 84 elementos naturais, como iodo, enxofre, bromo, magnésio e cálcio, componentes importantes para o metabolismo. “Em geral previne doenças cardíacas, tem mais cálcio, fósforo, vitaminas do complexo B, melhora a memória, dentre muitos outros benefícios,” aponta.
O uso de alimentos industrializados devem ser evitados, considerando que têm maior concentração de sódio. De acordo com a nutricionista Patrícia, são eles macarrões instantâneos, embutidos (salsicha, linguiças, bacon, salame, mortadela, presuntos, queijos), refrigerantes, molhos prontos e extratos de tomates, salgadinhos de pacotes, biscoitos recheados e sem recheios, cereais. Ela acrescenta ainda que o melhor seria se as pessoas consumissem apenas alimentos mais naturais como frutas, verduras, legumes, pães e biscoitos integrais sem glúten quando possível, arroz e massas também integrais, além de criar o hábito de consumirem molhos de tomate feitos em casa, e o principal, retirar o saleiro da mesa. “A ingestão de sódio deve ser equilibrada, nem de mais, nem de menos. Da mesma forma, a prática de exercícios físicos deve ser estimulada para evitar muitas doenças que acometem o a sociedade,” frisa.


A hipertensão é a doença cardíaca mais comum e traiçoeira que existe; é silenciosa na maioria dos portadores provocando sintomas em fases muito avançadas ou quando ocorre aumento exagerado na pressão. A dona de casa Maria Martins é hipertensa há 21 anos, e descobriu a doença em sua segunda gravidez. “Eu sentia muita dor de cabeça, tontura, dores na nuca. Procurei um médico e descobri. Desde então vou ao médico mensalmente.” Maria afirma que sua alimentação é diferenciada, sendo necessário que cozinhe alimentos com redução de sal.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indica que as pessoas consumem, em média, 12 gramas de sódio por dia, ou seja, o dobro recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que é de seis gramas diárias. Com isso, o Ministério da Saúde determinou uma redução da quantidade de sódio em vários produtos em acordo com a Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (Abia). A previsão é que até 2020 mais de 20 mil toneladas de sódio estejam fora das prateleiras.
De olho na quantidade de sódio dos alimentos, consumidora analisa antes de levá-los para casa (Foto Laura F. Thomaz)