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30/10/2013

        A semelhança vai além de qualquer coincidência. As palavras verde e vegetariano estão ligadas pelo senso comum do natural e do vegetal, reforçando a ideia de vegetarianismo, dieta antiga que ganhou força na atualidade por diversas razões. Ela envolve desde a consciência por uma saúde melhor ao protesto contra violência animal. Acredita-se que o homem pré-histórico era vegetariano. No Egito, por volta de 3200 anos A.C, o vegetarianismo foi adotado por religiosos que acreditavam que não comer carne facilitava na reencarnação. Com a evolução, o homem descobriu o fogo, que aliado a caça, gerou a inclusão da carne em sua dieta. Embora esse alimento tenha se tornado comum, o vegetarianismo mostra que a carne pode ser substituída por um complexo de frutas, legumes e grão       que acompanham o tradicional arroz e feijão.

Verde nos Olhos da Alma


Filosofias de vida que aderiram ao habito da alimentação vegetariana,

de chefes de cozinha a nutrólogos

 

Isis Renata

 

          No Brasil, a adesão ao vegetarianismo aponta números em crescimento. Segundo pesquisa publicada no dia primeiro de outubro de 2012, pelo Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (IBOPE), 15,2 milhões de brasileiros se declaram vegetarianos. Isso corresponde a 8% da população do país. O instituto escolheu propositalmente esta datam por se comemorar o dia Mundial do vegetarianismo. A pesquisa aponta a cidade de São Paulo com o maior número de vegetarianos: são mais de 792 mil pessoas, o que corresponde a 7% do total.

 

        E quais seriam os motivos desse crescimento? Podem ser enumeradas algumas razões do vegetarianismo, entre elas: melhorias para a saúde, filosofia de vida, violência contra animais, indústria da carne, movimentos ativistas, eventos envolvendo profissionais da saúde, socialistas e ambientalistas. A Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB), fundada em 16 de agosto de 2003, é pioneira em movimentos vegetarianos, com o objetivo de divulgar que a dieta seja uma opção alimentar benéfica para a saúde humana, dos animais e do planeta. Em 2009, a entidade lançou a campanha Segunda Sem Carne, em parceria com a Secretaria do Verde e Meio ambiente de São Paulo. A campanha propõe não comer carne na segunda-feira.  A razão disto é que o final de semana do brasileiro em geral é recheado de churrasco e as pessoas tendem a comer alimentos mais leves na segunda, e mostra opções alimentícias ao onívoro. A SVB também lançou um Guia de Restaurantes Segunda sem carne, catalogando os locais que aderiram à campanha. Em Piracicaba, o Veículo de Intervenção pelo Direito do Animal (VIDA) promove diversas ações envolvendo o vegetarianismo. “Realizamos eventos, como passeatas, palestras, oficinas de culinária vegana, até mesmo uma ação mais direta como foi o vídeo Rodeio, a Crueldade Revelada. O nosso objetivo é conscientizar e educar para o veganismo”, explica a engenheira florestal e integrante do VIDA Nathalia Mota Ribeiro. A profissão atuante também pode influenciar na dieta vegetariana. É o caso de Eric Slywitch, vegano e especialista em nutrologia. Seus olhos verdes revelam um olhar mais crítico para quem consome carne. O primeiro contato com a dieta vegetariana aconteceu na adolescência, por meio da filosofia oriental ao mesmo tempo que cursava medicina. Atualmente, trabalha em dois hospitais em São Paulo, coordena o Departamento de Medicina e Nutrição da Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB) e escreveu dois livros Alimentação sem carne- guia prático e Virei vegetariano, e agora?



 

 

    O nutrólogo revela que o onívoro, ao se tornar vegetariano, demonstra mudanças em sua vida. “Observo o estilo de vida da pessoa e sua forma de se posicionar frente ao mundo, especialmente ao que se consome como se cuida e na forma de lidar com os outros seres vivos”, descreve. Porém, o onívoro que deseja mudar seu habito alimentar precisa, antes de tudo, pesquisar seus próprios gostos alimentares e fazer uma relação com os alimentos de uma dieta vegetariana. “O importante é saber que carne não é substituída por ovos ou laticínios, mas por feijões, que inclui ervilha, lentilha, e grão de bico, não se esquecendo dos cereais como arroz e milho, frutas e as hortaliças e legumes. Vegetariano não precisa comer somente soja”, afirma. 

 

 

       Com pesquisa feita e alimentos selecionados, o vegetariano acaba por descobrir que ele mesmo pode virar o cozinheiro. E quem sabe até profissional, como é exemplo da chefe de cozinha Tatiana Navega. Vegetariana ha mais de três anos, Tatiana declara que sua mudança alimentar se deu por conta de seu metabolismo. “Percebi que quando mais eu diminuía a carne, mais meu organismo funcionava bem, ficava mais disposta”. Atualmente ela trabalha em um Buffet que tem como proposta um cardápio variado, com mais opções de pratos sem carne. “A pessoa a escolher esse tipo de cardápio não vê como vegetariano, e sim como uma variedade”, revela Tatiana. Outra regra seguida por ela é evitar desperdício de comida e trabalhar com a menor quantidade de material descartável. Um cardápio vegetariano é facilmente encontrado nas redes sociais. O site Vista-se, (vista-se.com.br), há cinco anos na rede e administrado por Fábio Chaves, contém varias indicações de links, além de divulgar agenda de encontros, palestras e eventos. Chaves participou da Semana Vegetariana da Unicamp, em Campinas, realizada em setembro, e disse que o objetivo é falar sobre veganismo principalmente para quem não é vegetariano, para atingir o público que precisa de informações sobre o tema.

 

      O publicitário Rafael Carneiro, que também tem olhos verdes, declara que a carne está fora de questão há mais de quatro anos, por condenar a crueldade e a morte de animais. “Se eu tenho a opção de comer algo que não vá precisar matar outro ser, irei fazer isso”. Estevam Boraschi sentiu na pele o que significa sacrificar um animal. Como estudante de veterinária teve matérias sobre frigorífico e matança de animais. “Eles mostram vídeos sobre como é feito salsicha e a mortadela. Aquilo me chocou. Eu já não comia muita carne vermelha, mas daquele dia eu tirei totalmente a carne da minha alimentação”, conta. Boraschi e seus olhos verdes não se esquecem do que viram e o estudante confessa se alimentar sem culpa. “A carne prejudica a saúde. Já foi comprovado que é uma das causas do câncer e faz mal para os animais e para o meio ambiente”.
 

Créditos Fábio Chaves

 

Fique ligado no maior site sobre vegetarianismo no Brasil: VISTA-SE

 

 

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