

Projeto Multimídia desenvolvido por seis alunas
do último ano de Jornalismo da
Universidade Metodista de Piracicaba
O conhecimento a um clique
Entre dois mundos
Material retirado do lixo faz surgir novo tipo de arte contemporânea
Mylena Arruda
Ultimamente é perceptível a todos que a natureza esta sendo destruída, porém há pessoas que se preocupam com o futuro e procuram fazer a diferença sozinha. Como o citricultor e ambientalista de Limeira, interior do Estado de São Paulo, Waldomiro Jorge Ivers de 78 anos, que começou entre 1988 e 1989 o reflorestamento das matas ciliares de suas propriedades, entre elas a chácara do Pinhal com 22 alqueires; o sítio Mirim com 15 alqueires e, a mais conhecida, a chácara Laranja Azeda com 31 alqueires, utilizada para o cultivo da citricultura.
Neto e filho de pioneiros da área da citricultura do município, Ivers herdou os bens e dá continuidade ao trabalho de seu avô e padrinho Jorge Carlos Ivers, e seu pai, Arthur João Ivers, ambos falecidos. Porém, o projeto de reflorestamento não se limita somente na cidade em que vive: o projeto também é realizado em sua fazenda, em Goiás (Catalão), e nas terras que ficaram para seus irmãos em Mogi Guaçu e Aguai, reflorestadas por ele. “Onde eu ando nessas propriedades eu vejo um pedaço que plantei, exemplos de coisas maravilhosas”, declara Ivers.
Sim, uma pessoa consegue fazer a diferença
Waldomiro Ivers reflorestou a mata ciliar de sua propriedade plantou mais de 100 mil árvores
Janaina Ferreira

Com os 20% das terras reflorestadas e mais os 30 metros dos córregos e rios determinados pela APP (área de preservação permanente), à área pode ser considerada uma reserva ambiental, como explica o Diretor de Agricultura e Abastecimento de Limeira o engenheiro agrônomo, Thiago Mercuri, 32 anos, “por se tratar de uma mata ciliar, ela já é uma área de preservação permanente (APP), protegida por lei, portanto pode ser considerada uma reserva ambiental”.
De origem alemã e irlandesa o citricultor aprendeu desde pequeno com sua mãe, Ilíria Hergert Ivers, de quem herdou a paixão pelas plantas, como cultivar desde as sementes, plantar e cuidar do meio ambiente. “Minha mãe sempre admirou e gostava mexer com plantas. E isso veio comigo”, afirma Ivers.
Até 2005, ele contabilizou mais de 100 mil árvores plantadas somente na chácara Laranja Azeda e, como continua com o trabalho do plantio de árvores em todas suas propriedades, não soube dizer quantas mudas foram plantadas no total. A diversidade de sementes é grande. No começo de seu trabalho, conta, “algumas mudas foram ganhas de amigos para completar uma área que estava faltando”, já que as suas na época não eram suficientes. Além dos pomares, há diferentes espécies de árvores, como eucalipto, pau-brasil, ipês, jacarandá paulista, araucária, jatobá, jequitibá branco e algumas espécies de outros países como Índia e África.
Waldomiro Jorge Ivers (Foto: Janaina Ferreira)
Motivação - Sempre apegado às tradições de sua família, desde pequeno Waldomiro Ivers trouxe consigo os ensinamentos e a paixão pelas plantas que aprendeu com sua mãe. Por esse motivo, ao ver a natureza ser destruída e, preocupado com a poluição dos rios da região do bairro do Pinhal (bairro rural em Limeira), começou a se dedicar à recuperação da mata ciliar de suas propriedades e do Ribeirão Pinhal, que cruza a região incluindo a chácara Laranja Azeda.
Em meados de 1988, quando começou com o seu projeto, Ivers conheceu o presidente da ONG PreservAção (Associação de Proteção do Meio Ambiente de Limeira) e neurocirurgião Joaquim Nogueira da Cruz Neto e o engenheiro agrônomo Marco Pareja. Por intermédio de um dos membros da ONG, o engenheiro agrônomo, Lauro Pedro Jacinto Paiva foi conhecer o seu trabalho de semear mudas. De acordo com Ivers, Cruz o Pareja foram essenciais em seu projeto. “São duas pessoas muito importantes em minha vida, pois me incentivaram a expandir o meu trabalho e a continuar semeando minhas próprias sementes”.
Com pessoas importantes da cidade ao seu lado e o motivando para continuar com o projeto do reflorestamento de suas terras, o trabalho de Waldomiro Ivers se tornou conhecido em Limeira e região, além do estado de Goiás. Essa iniciativa também trouxe benefícios para a cidade, como relata o engenheiro agrônomo e diretor de Agricultura e Abastecimento de Limeira Thiago Mercuri. “Um ótimo exemplo são as nascentes que existem nas matas que estavam mortas e vão reaparecerão por causa das árvores ali plantadas”, avisa.
O citricultor teve seu trabalho reconhecido com prêmios e o troféu Fumagalli, tradicional premiação do município que tem como objetivo homenagear e incentivar pessoas que se destacam em diversas áreas. E o mais recente e importante Prêmio Parceria Verde e Azul, do governo do Estado de São Paulo, destaque na categoria ação local por uma causa global. “Esse momento foi muito feliz. Nós estamos danificando a nossa natureza e se todos fizessem um pouco, seria bom e faria uma grande diferença”, afirma. “Eu estou do lado daqueles que mais preservam”.
Waldomiro Ivers também tem orgulho de nunca ter precisado comprar ou vender uma de suas mudas. “Nenhuma das minhas mudas foram compradas, mas sim semeadas por mim. E não tenho nenhum centavo por muda vendida”, conta. Com a ajuda de seus funcionários trabalha diariamente em suas terras, cuidando, semeando, e depois de plantadas as árvores. E, como ele mesmo diz, “a natureza se encarrega do resto”.

Disseminando sementes - Por iniciativa própria e com o intuito de passar os seus conhecimentos, o ambientalista Ivers, uma vez por mês abre as portas de suas propriedades para visitações. Nessas visitas que, em sua maioria são escolas infantis, as pessoas aprendem passo a passo sobre como semear até a plantar a muda; conhecem e entram na floresta para ver de perto espécies raras. “Quando são crianças, as visitações acontecem na chácara do Pinhal e no sítio do Mirim, por ser mais perto da minha residência.”, comenta. “Uma criança que aprende como semear, passar as mudinhas para o saquinho, nunca esquece”.
Um exemplo dessas crianças é o engenheiro agrônomo Thiago Mercuri. Hoje com 32 anos se considera uma semente plantada por Ivers. “Quando criança em uma visita da escola onde eu estudava fui conhecer o trabalho dele e desde então virei um apaixonado por árvores. Hoje também faço palestras de educação ambiental com crianças da quarta série e os levo para conhecer a propriedade do senhor Waldomiro”. explicou falou.
Durante o passeio, Ivers também aproveita para contar sobre a história de sua família, e a ensinar, incentivar e explicar o bem que a preservação pode fazer pelo o ambiente em que se vive. “As ventanias, tempestades e catástrofes naturais que vemos hoje são consequências da destruição da natureza.”, explica.
O citricultor permite que estudos científicos sejam realizados em suas terras, estudantes universitários que escolhem o local para fazer o seu trabalho de conclusão do curso (maioria Engenharia Agronômica), e professores que levam os seus alunos para estudarem o solo e as folhas que caem das árvores. A propriedade mais usada para essa finalidade é a chácara Laranja Azeda, por causa de suas riquezas naturais, e já demarcadas pelos pesquisadores.
Waldomiro Jorge Ivers (Foto: autor desconhecido)
13/11/2013